Vitória / ES - quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Doenças da Vesícula Biliar

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O que é colelitíase?

 Pedras na vesícula

É a presença de pedras na interior da vesícula biliar. A vesícula é um pequeno órgão em forma de saco, localizado próximo ao fígado. Ela armazena a bile, um líquido amarelo esverdeado espesso produzido pelo fígado. Após a alimentação, a vesícula se contrai liberando bile ao intestino, esta entra em contato com o alimento, continuando a digestão iniciada pelo estômago.

A função básica da bile é digerir as gorduras e ajudar na absorção de importantes nutrientes como as vitaminas A,D,E e K.

A colelitíase é frequente na população de 20 a 60 anos, principalmente em mulheres.

 

Como são formadas as pedras na vesícula?

 

A bile é excretada pelo fígado e segue pelos ductos biliares para chegar ao intestino. Ela é composta por água, colesterol, sais biliares, bilirrubinato e lecitina. Em equilíbrio, estas substâncias mantêm a bile em estado líquido. Quando o colesterol, os sais biliares ou os bilirrubinatos são produzidos em excesso pelo fígado, há precipitação formando pequenos grânulos. Estes grânulos iniciam a formação dos cálculos biliares.

A formação destes cálculos está mais relacionada a fatores metabólicos, hereditários e orgânicos do que à ingestão alimentar, então a alimentação não interfere muito neste processo.

 

Todas as pedras são iguais?

 

Não, podem ser encontradas na vesícula pedras de colesterol ou de sais biliares; uma ou várias pedras; pedras pequenas, como grãos de areia ou grandes.

Cerca de 90% das pedras são formadas de colesterol. O restante é composto de sais biliares (bilirrubinato). Os cálculos pigmentados, pretos ou marrons, são formados por bilirrubinato de cálcio principalmente.

 

O que causa a formação destes cálculos?

 

A causa da formação das pedras ainda não é bem conhecida. Algumas pessoas que têm problemas sanguíneos relacionados à destruição de hemácias têm maior chance de ter pedras na vesícula, pois a vesícula usa os glóbulos vermelhos destruídos para a produção excessiva de bile. Pode haver aumento da secreção de colesterol pelo fígado ou a vesícula ter alguma dificuldade de esvaziamento.

 

Quais são os fatores de risco?

  • Mulheres em idade fértil, principalmente por volta dos 40 anos.
  • Mulheres que tiveram múltiplas gestações.
  • Obesidade.
  • Emagrecimento acentuado: aumenta a perda de colesterol na bile.
  • Uso de contraceptivos orais.
  • Gravidez.
  • Sedentarismo.
  • Idade avançada.
  • Úlceras duodenais: provocam certa estase da vesícula facilitando a formação de cálculos.
  • Pacientes submetidos a cirurgias gástricas para tratamento de câncer, úlcera ou vagotomias, podem ter maior propensão a formar cálculos biliares.
  • Anemia hemolítica crônica.
  • Uso de dieta parenteral.

 

O que sente uma pessoa com cálculos na vesícula?

 

Muitas pessoas com pedras na vesícula não apresentam sintomas e nem sequer sabem desta condição. Às vezes, descobrem estes cálculos quando estão investigando alguma outra patologia.

Para aqueles que apresentam sintomas, geralmente observa-se:

Intolerância quando ingerem alimentos gordurosos como frituras, gema de ovo, empadas, carnes gordurosas, etc.

Mal estar e dor de cabeça podem estar presentes.

Nos quadros mais agudos, há uma dor abdominal intensa, constante, no lado direito do abdome abaixo da costela, próximo ao estômago ou nas costas. A dor é forte, súbita e localizada e o abdome fica endurecido. Dura de 30 minutos a 5 horas.

Náuseas, vômitos acompanham com frequência a dor abdominal.

Quando além da dor do lado direito do abdome há febre, calafrios e icterícia o (amarelão) pode ser um caso de colecistite aguda, uma inflamação aguda da vesícula. Nesses casos, a urina pode ficar escura (amarronzada) e as fezes claras.

 

Quais são as complicações da colelitíase?

 

As principais complicações são:

 Complicações da colelitíase

Cólica biliar: ocorre quando uma das pedras fica presa na saída da vesícula impedindo o fluxo de bile, levando a uma distensão importante e a um esforço para expelir a pedra. O resultado é uma dor tipo cólica.

Colecistite aguda: quando a pedra fica presa logo na saída da vesícula por um período prolongado ocorre a chamada colecistite aguda, uma inflamação aguda da vesícula biliar com dor intensa e constante,  geralmente acompanhada de febre. 

Coledocolitíase: é o resultado da migração de uma pedra da vesícula biliar para o colédoco, que é o principal canal que leva a bile desde o fígado até o intestino, obstruindo-o. Nestes casos o paciente fica ictérico (pele e parte branca dos olhos ficam amareladas) pois a bile fica impedida de chegar ao intestino, acumulando-se no fígado e no sangue.

Colangite: é a infecção dos canais biliares por bactérias após a obstrução, já que a bile parada favorece a proliferação de bactérias.

Pancreatite: é a inflamação do pâncreas. O canal que leva a bile da vesícula para o intestino passa dentro do pâncreas e se junta com o canal principal que drena o suco pancreático. Quando o cálculo obstrui esses ductos, o suco pancreático fica retido e acaba agredindo o próprio pâncreas.

A colangite e a pancreatite são as complicações mais graves.

 

Como é feito o diagnóstico da colelitíase?

 

A história clínica é bem característica e orienta o diagnóstico. Há uma história de dor abdominal intensa, constante, no lado direito do abdome abaixo da costela, próximo ao estômago ou nas costas. A dor é forte, súbita e localizada, com o abdome endurecido. Dura de 30 minutos a 5 horas. Náuseas e vômitos acompanham com frequência a dor abdominal.

Procure um cirurgião para avaliar os seus sintomas.

O exame mais preciso para o diagnóstico é a ultrassonografia abdominal.

Exames radiológicos podem evidenciar pedras, muitas vezes quando o paciente está investigando uma outra patologia. Mas os cálculos de colesterol (maioria) não aparecem na radiografia. A cintilografia também pode ser usada para o diagnóstico.

Na suspeita de migração do cálculo para o canal da bile, este pode ser diagnosticado e retirado no pré-operatório através da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica e papilotomia endoscópica, respectivamente.

 

Como é o tratamento da colelitíase? 

 

Existem pontos de vista conflitantes a respeito do tratamento de pacientes assintomáticos com pedras na vesícula. Alguns médicos defendem que eles devem ser operados, outros propõem que devem ser simplesmente acompanhados. Deve-se levar em consideração os riscos advindos das complicações e os riscos cirúrgicos nestes casos. A última palavra será sempre dada pelo paciente, após receber as orientações médicas adequadas.

Nos casos em que a cirurgia é realizada, podem ser usadas duas técnicas, a cirurgia aberta ou a cirurgia por via laparoscópica.

 

Quais as vantagens e as desvantagens de cada técnica cirúrgica?

 

Colecistectomia aberta. É realizada com uma incisão que varia de 10 a 30 cm. O paciente permanece internado em média 3 dias e necessita de um tempo de recuperação de cerca de 30 dias para retornar às suas atividades físicas.

Colecistectomia videolaparoscópica. São feitas quatro punções, em uma delas entra um sistema ótico conectado a uma microcâmera  e a vesícula é retirada por um desses orifícios. A recuperação é mais rápida e o paciente geralmente apresenta menos dor no pós-operatório. Hoje em dia este é o tratamento de escolha para a maioria dos pacientes.

 

Depois de retirada a vesícula, existe alguma restrição futura?

A vesícula é um órgão que tem a sua função e não deve ser retirada se estiver saudável. Mas, quando há necessidade, após a sua remoção o colédoco dilata e passa a armazenar a bile.

  

 

Veja também sobre a cirurgia

das vias biliares

Assista a um video da cirurgia.

data de atualização 08/11/2010